
A contação de histórias é uma prática antiga, transmitida de geração em geração, que continua essencial na Educação Infantil. Muito além de entreter, contar histórias contribui profundamente para o desenvolvimento cognitivo, emocional, linguístico e social das crianças.
✨ Por que contar histórias?
Nos primeiros anos de vida, as crianças estão em uma fase intensa de aprendizagem e descobertas. Contar histórias permite que elas:
- Desenvolvam a linguagem e ampliem seu vocabulário;
- Estimulem a imaginação e a criatividade;
- Aprendam a lidar com sentimentos e emoções;
- Fortaleçam vínculos afetivos com quem conta a história;
- Entendam valores como respeito, empatia, amizade e solidariedade.
A prática regular da contação favorece ainda a escuta atenta e a concentração, habilidades fundamentais para a alfabetização e para a vida em sociedade.
🌍 Tradição oral e formação de identidade
Desde tempos remotos, contar histórias era um jeito de ensinar, preservar culturas e formar identidades. Como afirmam estudiosos como Ana Maria Machado e Kieran Egan, as histórias transmitidas oralmente moldaram não apenas a imaginação, mas também os valores éticos e morais de gerações.
Ao ouvir histórias, a criança se conecta com o outro e com o mundo — uma ponte entre o real e o imaginário, entre o passado e o futuro.
🎓 O papel do educador como contador
O educador precisa estar preparado para contar histórias de forma envolvente e significativa. É essencial escolher histórias adequadas para cada faixa etária e utilizar entonação, gestos e pausas para prender a atenção da turma. Como destaca Fanny Abramovich, contar histórias exige preparação, sensibilidade e entrega.
Além disso, é importante que as histórias contemplem a diversidade cultural e emocional, contribuindo para a formação de uma criança mais crítica, sensível e empática.
📖 Contação e o estímulo à leitura
A contação de histórias desperta nas crianças o prazer pela leitura desde cedo. Ao escutarem histórias com personagens cativantes e aventuras fantásticas, elas passam a desejar explorar o universo dos livros por conta própria.
Essa prática fortalece a base da alfabetização e estimula o gosto duradouro pela leitura. Como diz Abramovich, “escutar histórias é o início da aprendizagem para ser leitor”.
🌱 Conclusão
Investir na contação de histórias na Educação Infantil é promover o desenvolvimento integral da criança. É semear empatia, criatividade, pensamento crítico e amor pelos livros. Histórias bem contadas deixam marcas, encantam e transformam — são janelas abertas para o mundo e para o coração.
📚 Referências Bibliográficas:
- ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 2012.
- BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
- BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. São Paulo: Brasiliense, 2009.
- BUSATTO, Cléo. A formação do contador de histórias. Vozes, 2006.
- CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. São Paulo: Ouro sobre Azul, 2011.
- COELHO, Betty. O desenvolvimento da criança de zero a seis anos. São Paulo: Moderna, 1999.
- EGAN, Kieran. A imaginação na educação infantil. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
- HELD, Jacqueline. Palavras, palavras, palavras. São Paulo: Summus, 1980.
- MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
- MALBA TAHAN. Lendas do céu e da terra. Rio de Janeiro: Record, 1957.
- NÓBREGA, Maria da Glória. Contando histórias com arte. São Paulo: Cortez, 2009.
- PRADO, Maria Luiza S. Leitura: o que é e como se faz. São Paulo: Ática, 2003.
- RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. MEC/SEF. Brasília, 1998.
- SILVEIRA, Cláudia Regina. A leitura como processo de construção de sentidos. Curitiba: Ed. CRV, 2012.
- SOUZA, Rosely Sayão. Quem ama, educa!. São Paulo: Geração Editorial, 2015.